Options
Os Indios Potiguara: memoria, asilo e poder
Date Issued
2011
Author(s)
Simoes, Jose Manuel
Abstract
Following close contacts with the Potiguara Indians, I decided, since 2006, to conduct an intensive fieldwork in the 32 villages of this community with the goal of implementing a research project able to merge in an interdisciplinary perspective History, Cultural Anthropology, and Communication Theories and Politics, describing and rethinking in the framework of an ethno-history methodology a cultural group definitively opened up to the outside while maintaining in narrative and political terms cultural representations and practices presented as very arcane and singular. This purposeful interdisciplinarity has an epistemological goal: to transform the empirical research in a new contribution to the history of communication theory and of the communication research itself – the communication between anthropo-historical (so-called) traditional communities and the 'other' and the research in which the ‘self’, in the sense give to it by Michel Foucault, incorporates and then dominates the very invention of the ‘other’.
Having as a fundamental part of this research the 14 months of field work and the consequent organization of a large oral and visual archive, understanding also that the information gathered from historical sources and oral anthropology was widing the invention of a constructed idea of past, I sought to clarify the distance between this past and the present of a community whose culture is invented and re-created as a sort of ‘folkloric’ representation progressively more open to the Catholic festivals, the school and the many tourists, the three social and institutional intermediaries constraining the idea of Potiguara culture to be updated. Crossing systematically historical documentation, chronicles, old maps and that huge archive build up from the interviews with chiefs, shamans, healers and several other candidates to the Potiguara political leadership, it was possible to understand the process of invention of their idea of land, social milieu, and mainly present-day cultural manifestations and practices that are preserved through a long term antropo-historical process associating colonial legacy and its survival and political promotion in the present Potiguara cultural discourse.
No seguimento de estreitos contactos com os índios Potiguara, decidi, desde 2006, levar a efeito um intenso trabalho de campo nas 32 aldeias desta comunidade com o objectivo de concretizar um projecto de investigação que englobasse em obrigatória interdisciplinaridade os campos da História, da Antropologia Cultural e das Teorias da Comunicação Política, acompanhando e reflectindo em sede de metodologia etno-histórica sobre um grupo cultural que se abriu definitivamente ao exterior mas porfiando em manter narrativa e politicamente traços, manifestações e representações culturais que insiste em apresentar como ancestrais e singulares. Esta propositada interdisciplinaridade persegue um objectivo epistemológico: transformar a investigação empírica em contribuição para uma nova teoria da história da comunicação e da comunicação da própria investigação – a comunicação antropo-histórica entre comunidades ditas tradicionais e o ‘outro’ e a investigação em que o Mesmo, no sentido que lhe foi dado por Michel Foucault, incorpora e domina a invenção do Outro.
Tendo como parte fundamental desta investigação os catorze meses de trabalho de campo e a construção de um abundante arquivo oral e visual, compreendendo também que a informação recolhida entre história documental e antropologia oral foi avolumando a invenção de uma ideia construída de passado, procurei clarificar a distância entre esse passado e o presente de uma comunidade cuja cultura se inventa e recria uma sorte de representação ‘folclórica’ progressivamente mais aberta à festa católica, à escola e aos turistas muitos, assim enformando os intermediários sociais e institucionais que obrigam a ideia de cultura Potiguara a presentificar-se. Cruzando a documentação histórica, a cronística, a cartografia e esse enorme arquivo cerzido por entrevistas com caciques, pajés, curandeiros e vários outros candidatos a líderes Potiguara foi-se percebendo a invenção da sua terra, do seu meio social e, sobretudo, das sua manifestações e práticas culturais hoje, fixando-se graças a um demorado processo antropo-histórico associando estreitamente os legados coloniais à sobrevivência e promoção políticas
presentes no discurso cultural Potiguara.
Having as a fundamental part of this research the 14 months of field work and the consequent organization of a large oral and visual archive, understanding also that the information gathered from historical sources and oral anthropology was widing the invention of a constructed idea of past, I sought to clarify the distance between this past and the present of a community whose culture is invented and re-created as a sort of ‘folkloric’ representation progressively more open to the Catholic festivals, the school and the many tourists, the three social and institutional intermediaries constraining the idea of Potiguara culture to be updated. Crossing systematically historical documentation, chronicles, old maps and that huge archive build up from the interviews with chiefs, shamans, healers and several other candidates to the Potiguara political leadership, it was possible to understand the process of invention of their idea of land, social milieu, and mainly present-day cultural manifestations and practices that are preserved through a long term antropo-historical process associating colonial legacy and its survival and political promotion in the present Potiguara cultural discourse.
No seguimento de estreitos contactos com os índios Potiguara, decidi, desde 2006, levar a efeito um intenso trabalho de campo nas 32 aldeias desta comunidade com o objectivo de concretizar um projecto de investigação que englobasse em obrigatória interdisciplinaridade os campos da História, da Antropologia Cultural e das Teorias da Comunicação Política, acompanhando e reflectindo em sede de metodologia etno-histórica sobre um grupo cultural que se abriu definitivamente ao exterior mas porfiando em manter narrativa e politicamente traços, manifestações e representações culturais que insiste em apresentar como ancestrais e singulares. Esta propositada interdisciplinaridade persegue um objectivo epistemológico: transformar a investigação empírica em contribuição para uma nova teoria da história da comunicação e da comunicação da própria investigação – a comunicação antropo-histórica entre comunidades ditas tradicionais e o ‘outro’ e a investigação em que o Mesmo, no sentido que lhe foi dado por Michel Foucault, incorpora e domina a invenção do Outro.
Tendo como parte fundamental desta investigação os catorze meses de trabalho de campo e a construção de um abundante arquivo oral e visual, compreendendo também que a informação recolhida entre história documental e antropologia oral foi avolumando a invenção de uma ideia construída de passado, procurei clarificar a distância entre esse passado e o presente de uma comunidade cuja cultura se inventa e recria uma sorte de representação ‘folclórica’ progressivamente mais aberta à festa católica, à escola e aos turistas muitos, assim enformando os intermediários sociais e institucionais que obrigam a ideia de cultura Potiguara a presentificar-se. Cruzando a documentação histórica, a cronística, a cartografia e esse enorme arquivo cerzido por entrevistas com caciques, pajés, curandeiros e vários outros candidatos a líderes Potiguara foi-se percebendo a invenção da sua terra, do seu meio social e, sobretudo, das sua manifestações e práticas culturais hoje, fixando-se graças a um demorado processo antropo-histórico associando estreitamente os legados coloniais à sobrevivência e promoção políticas
presentes no discurso cultural Potiguara.
File(s)
No Thumbnail Available
Name
D-GLS 2011 SIM,JOS.pdf
Size
1.69 MB
Format
Adobe PDF
Checksum
(MD5):a8dc51302e2aab223263393baa01d456